sexta-feira

"Me Haces Tanto Bien"


Uma pesquisa na Internet... e dou por mim a recordar velhos êxitos (quer dizer... não tão velhos assim... mas que também já não vão nada para novos), que passava nos meus primeiros tempos de rádio, na mais "local" de todas as rádios, num estúdio com os "deck's" da Sony e da Marantz sem teclas nenhumas (Play, Stop, Fast Forward, Rewind, Pause e Eject eram tudo funções que se activavam... com os dedos DENTRO do aparelho - literalmente dentro!), com alcatifa velha a forrar as paredes, um microfone num tripé que, em vez de assente no chão, vinha do tecto e centenas de LP's de vinil (os menos utilizados - sim... na altura, ainda usávamos muitos deles... Ah!.... a batatinha frita!) na estante da parede mais ao fundo, em frente à mesa preta da emissão, forrada a napa já muito gasta, suja e furada por algumas pontas de cigarro ali apagadas. Curioso... desse tempo recordo pouca coisa. De como todos se achavam grandes locutores e ninguém acreditava que seria eu o único a singrar (hoje só um ou dois continuam no activo... e ainda por lá) mas, acima de tudo, de músicas. De temas que passei, gostando de alguns, detestando outros, mas que agora fazem parte de um imaginário meu, que é para mim um álbum de recordações catita e muito interessante no sentido de que não esqueci quando, somo e onde comecei a ser o que sou hoje. Lembro-me de ter passado o "Maubere", em cadeia com praticamente todas as rádios de Portugal. Lembro-me de ter passado muita vez "Purple Rain" (do Prince) e também Dulce Pontes com o Enio Morricone às 7 da manhã (naquele que foi, praticamente, o primeiro "Programa da Manhã" lá do burgo - com notícias, revista de imprensa e tal... tudo feito por um puto de 18 anos - e essas músicas tinham sete e oito minutos; por isso, dava tempo para ir buscar os jornais ao café, já que mais ninguém fazia isso). Lembro-me de passar muita pimbalhada (quando o conceito Pimba tinha acabado de nascer - nunca mais me esqueço da K7 laranja do Emanuel "Pimba! Pimba!" - Maldita K7!!) e de um disco de um Stalone que não era o Sylvester e que nunca pus a tocar. Lembro-me - não sei por quê - melhor de algumas canções latinas (se calhar, porque não havia quase nada americano nem britânico, sem ser aquilo que levássemos de casa). Juan Luis Guerra era grande na altura ("Borbujas de Amor"! Meu Deus!), Luz Casal que, e bem, ainda é grande agora, Daniela Mercury ainda novinha e pura, quando ninguém a conhecia e depois... Presuntos Implicados (que banda!... tão à frente do seu tempo, um verdadeiro espanto) e o infame "Me Haces Tanto Bien", um one hit wonder dos Amistades Peligrosas, que era um hino à badalhoquice, mas em giro e muito, muito, mas mesmo muito catita. Foram dois ou três anos a fazer emissões naquele estúdio feio, fétido e deplorável, tanto a fazer notícias como a aturar os maluquinhos que ligavam às tantas para os "Discos Pedidos" . Desse tempo recordo (ou quero recordar) pouca coisa. Mas recordo que - tal como dizia a música - me fez mesmo muito bem.

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